Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá
(Presidente da Academia Brasileira de Ciências Contábeis)
Não existem donos da verdade, embora o poder político possa induzir a aceitar-se como correto, por uma imposição de suposta autoridade, o que na realidade é apenas uma aparência .
Isaac Newton foi um homem poderoso na Inglaterra, como membro do Parlamento e Diretor da Casa da Moeda .
Apaixonado pela Alquimia e um cientista estudioso dos fenômenos físicos, fez prevalecer a sua idéia de que a luz se compunha de partículas e que por isto estas obedeciam às leis da gravitação .
Duvidar de Newton era quase um sacrilégio .
Huygens, um cientista de grande seriedade, na mesma época, enunciava de forma diferente a questão dos raios luminosos .
Partia de estudos que levavam a proclamar que a luz se propagava em ondas .
Embora os trabalhos tivessem sido realizados com grande embasamento, partiam, entretanto, de um homem sem força política .
As teorias de Huygens sobre os processos ondulatórios da luz, portanto, ficaram derrotadas naquele século XVII .
Idéias recusadas como verdadeiras, em uma determinada época, podem, todavia, renascer com toda a força em uma outra porque a verdade tende sempre a prevalecer .
Foram necessários mais de 200 anos para que as afirmações de Huygens se consagrassem nas teorias de Young e que se confirmasse o caráter ondulatório da luz .
Não faz muito tempo e novas experiências provaram que a velocidade da luz não dependia só da emissão da mesma, mas, também, do ambiente que ela percorre, em condições, inclusive, de temperatura e alheia ao processo da gravitação .
As “verdades” do cientista inglês, portanto, desfizeram-se no tempo .
O conhecimento humano, pois, não depende da autoridade política que se diz possuidora dele, mas, sim da comprovação dos efeitos e das evidências perante a realidade .
Não é porque uma teoria econômica vem dos Estados Unidos, que domina o poder político nesse nosso País, através do FMI, que deve ser aceita como verdadeira .
As diretrizes que estão vindo de Washington são tão falsas como as foram as de Newton sobre a luz , pois, seus efeitos resultam em aumento da miséria, em diminuição do poder de compra, em aumento do desemprego, em redução de nossas oportunidades de concorrência no mercado mundial .
A incompetente orientação econômica e financeira que está sendo seguida como modelo já fracassou em diversas outras partes do mundo e isto está comprovadamente espelhado em estatísticas .
O que confere a autenticidade de uma verdade em economia e finanças não é, pois, o fato de que a norma veio dos Estados Unidos, mas, sim o que ocorreu em decorrência da prática de tais diretrizes .
É absurdamente errado acreditar (como o foi na Inglaterra crer que só Newton tinha razão) que as teorias norte americanos são infalíveis .
Modelos econômicos devem ser traçados para cada nação, em cada tempo.
As diretrizes do Fundo Monetário Internacional estão erradas em relação ao Brasil, os efeitos comprovam isto e só muito lamento que esteja faltando um poder que faça prevalecer a soberania em nosso País, para que sejam corrigidas essas falhas que estão vitimando o povo .
O Brasil tem todos os fatores para crescer sempre, pois, alia seus recursos naturais a uma população jovem, ao seu poder como mercado e a qualidade de sua gente .
Com tais fatores, a fórmula econômica não pode e nem deve ser essa de retração e subserviência aos modelos equivocados que dimanam de áreas de poder político, mas, longe da verdade econômica brasileira .
terça-feira, janeiro 05, 2010
APARÊNCIA E VERDADE
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ADMINISTRAÇÃO DE CAIXA
ADMINISTRAÇÃO DE CAIXA
Carlos Geraldo Caixeta Cruz
Mestrando em Sistema de Informações Contábeis (ULAC)
Professor do Departamento de Contabilidade da UPIS - newnetcar@yahoo.com.br
Amilton Paulo Silva
Mestrando em Sistema de Informações Contábeis (ULAC)
Professor do Departamento de Contabilidade da UPIS - amiltomp@zipmail.com.br
INTRODUÇÃO
O presente “paper” apresenta um resumo sobre aspectos inerentes à administração de caixa, objetivando buscar o interesse acadêmico no sentido de aprofundar os estudos sobre o tema.
DESCRIÇÃO
O ambiente econômico adverso em que se insere a atividade empresarial conduz à utilização de técnicas que permitam buscar o equilíbrio financeiro de um negócio, no sentido de se reduzir incertezas e maximizar a aplicação dos recursos.
Inquestionável é a importância da administração de caixa, técnica que se bem executada favorece a lucratividade, minimiza os custos de oportunidade e evita riscos de insolvência técnica.
O dinheiro deve ser considerado como matéria-prima de que necessita a empresa para levar a efeito a produção, e manter em condições favoráveis a atividade operacional.
Neste sentido a administração de caixa consiste em uma técnica que visa determinar o nível de caixa necessário para fazer face aos compromissos de curto prazo assumidos, proteger a empresa de demandas inesperadas de recursos e atender às perspectivas de uma oportunidade futura para fazer negócios.
OBJETIVO
A administração de caixa tem por objetivo identificar excedentes ou insuficiências de recursos que possam prejudicar a manutenção de um caixa mínimo de forma a equilibrar a liquidez da empresa.
Em sua essência, a administração de caixa busca ser um referencial que possibilite o planejamento e o controle dos recursos financeiros de uma empresa, indispensável no processo de tomada de decisão.
MÉTODOS
Os métodos mais utilizados para a administração de caixa se relacionam tanto a abordagens subjetivas como a modelos quantitativos.
A ênfase está nos métodos quantitativos, já que a abordagem subjetiva não leva em consideração fatores objetivamente identificáveis no fluxo de caixa, estabelecendo o volume de recursos a serem mantidos em função do valor das vendas mensais.
Além do fluxo de caixa projetado que se destina a mostrar ao administrador as necessidades futuras de um caixa mínimo, bem como a probabilidade de recorrer a financiamentos externos, outros métodos são utilizados para a administração de caixa. Abaixo seguem comentários a respeito de alguns desses modelos.
1. Modelo de Baumol
Este modelo, aplicável em situações em que exista um fluxo regular de recebimentos e pagamentos, propõe a utilização do conceito de Custo Econômico de Conversão (VEC) para reposição de caixa em função de futuras demandas.
Se a empresa mantém a posse de títulos negociáveis de curto prazo, estes atuariam como uma reserva para suprimento de caixa em eventuais necessidades. Neste caso, o Modelo de Baumol propõe a administração de caixa levando-se em consideração os custos de conversão dos títulos e os custos de oportunidade relacionados à manutenção de excedentes monetários.
Se a empresa não mantém títulos negociáveis, mas tem a oportunidade de manter seus fundos em aplicação financeira, o Modelo de Baumol considera os rendimentos e os custos dessa aplicação de modo a adequar os resgates necessários à maximização dos benefícios financeiros.
2. Modelo de Miller-Orr
Este modelo é mais aceitável, pois o mesmo é utilizado quando há muita incerteza no fluxo de recebimentos e desembolsos, apesar da dificuldade de sua aplicação.
A exemplo do Modelo de Baumol, o método idealizado por Miller e Orr, pressupõe a existência de dois ativos distintos: o caixa (representando recursos monetários internos) e investimentos (representando títulos negociáveis de curto prazo, ou aplicação de liquidez imediata). Poderá ocorrer a transferência de recursos do caixa para o investimento (conversão de moeda em títulos negociáveis) e vice-versa (venda de títulos a vista). Estas transferências de recursos são feitas quando o caixa atingir o limite máximo ou mínimo que é determinado pelo modelo.
Estas operações de resgate e aplicação devem ser feitas de modo a que o caixa sempre retorne a determinado nível, denominado de ponto de retorno.
O valor do ponto de retorno depende dos custos de conversão, do custo de oportunidade diário dos recursos e da variação dos fluxos de caixa líquidos diários (recebimentos (-) pagamentos).
3. Orçamento de Caixa
O orçamento de caixa é feito com o objetivo de obter informações acerca das estimativas de entradas e saídas de recursos financeiros e da necessidade de financiamento externo em superveniências futuras. Envolve o conhecimento do fluxo de caixa da empresa (origens dos recursos e suas aplicações), bem como de todo o processo produtivo e de marketing que sustentam a base operacional dos negócios.
O demonstrativo de fluxo de caixa relaciona os ingressos e saídas (desembolsos) de recursos monetários no âmbito de uma empresa em determinado intervalo de tempo.
Caracteriza-se o demonstrativo de fluxo de caixa como instrumento de natureza gerencial de importância inquestionável na medida em que propicia prognosticar eventuais excedentes ou escassez de caixa, determinando-se medidas saneadoras a serem tomadas, ou seja, este demonstrativo sinaliza os rumos financeiros da empresa.
Há uma ligação direta na administração do fluxo de caixa e o resultado da empresa. Assim, por exemplo, se uma empresa mantém excessivamente alto o volume monetário de caixa poderá ocorrer situações em que se apresente problemas relacionados a custo de oportunidade pela não negociação de um produto com descontos financeiros favoráveis. De outra forma, caso haja pouca reserva de caixa, poderá obrigar a empresa a recorrer a compras a prazo de mercadorias e/ou insumos, o que naturalmente implicaria em despesas financeiras pelos juros cobrados.
É certo que a situação de caixa tem influência no capital circulante líquido. No entanto é preciso diferenciar fluxo de caixa de fluxo de recursos.
Fluxo de caixa envolve apenas entrada e saída de numerário (moeda) relacionando aporte de dinheiro na empresa e os pagamentos efetuados.
Capital Circulante Líquido (que apresenta a noção de fluxo de recursos) representa a diferença positiva entre ativo circulante e passivo circulante e, neste caso, o conceito é mais abrangente, envolvendo não só dinheiro, mas todos os itens representativos de recursos de curto prazo (estoques, duplicatas a receber, etc) e dívidas também de curto prazo (fornecedores, impostos a pagar, etc).
A estruturação do esquema do fluxo de caixa de uma empresa pode apresentar três situações distintas, quais sejam:
Fluxo de Caixa Operacional: são as entradas e saídas diretamente relacionadas à produção e venda dos produtos e serviços da empresa.
Fluxo de Investimentos: entradas e saídas associadas com a compra e venda de ativos imobilizados e participações societárias.
Fluxo de Financiamento: resulta de operações de empréstimos de terceiros e capital próprio.
O demonstrativo de fluxo de caixa apresenta os valores que realmente foram gerados em determinado período (passado), evitando-se o problema relacionado ao regime contábil conhecido como “competência de exercícios”.
Este demonstrativo pode ser útil para indicar tendências nos relatórios de resultados e do Balanço Patrimonial devido às práticas contábeis, bem como para determinar a qualidade dos lucros (quanto dinheiro já entrou no caixa desses lucros) e a facilidade da empresa em poder pagar juros e dividendos.
O fluxo de caixa das operações é determinado a partir do lucro líquido indicado na demonstração de resultados, adicionando-se as despesas não-desembolsáveis e diminuindo-se as receitas que não tenham representado ingresso de recursos (variação monetária ativa, correção monetária, etc).
O demonstrativo de fluxo de caixa além de mostrar a efetiva movimentação de recursos monetários (entrada e saída de dinheiro) também poderá ser elaborado para estimar futuras necessidades de fundos a curto prazo.
A projeção de caixa far-se-á em função da previsão de vendas e outras arrecadações e dos pagamentos de despesas diversas e/ou investimentos. O período a ser coberto para as estimativas normalmente é de um ano, fracionado em intervalos de tempos menores.
A previsão de vendas é elaborada a partir de informações externas (renda “per capita” da população, tendências econômicas, etc) e internas (dados fornecidos pelos vendedores locais, departamento de marketing da empresa, etc). Com os dados disponíveis o administrador determina a previsão de recebimentos mensais considerando, também, os gastos relacionados aos insumos básicos (matéria-prima, estoques, despesas de distribuição, etc) e aos investimentos em imobilizados necessários à manutenção da atividade operacional.
FUNÇÃO
Proporcionar ao administrador financeiro informações acerca do fluxo de caixa (entradas e saídas de recursos), bem como promover o controle e a adequação do saldo de caixa mínimo, garantindo o equilíbrio entre os custos e os benefícios inerentes ao excesso ou escassez de dinheiro no caixa.
APLICAÇÃO
A administração de fluxo de caixa é aplicável na gestão financeira das empresas, no sentido de subsidiar a tomada de decisão quanto aos aspectos inerentes à questão da liquidez e financiamento de terceiros para manutenção das atiidades operacionais.
BIBLIOGRAFIA
GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. São Paulo: Editora Harbra, 7ª edição, 1997.
GROPELLI, A A, NIKBAKHT, Ehsan. Administração Financeira. São Paulo Editora Saraiva,3ª edição, 1998.
HENDRIKSEN, Eldon S., VAN BREDA, Michael F. Teoria da Contabilidade. São Paulo: Atlas, 1999.
NETO, Alexandre Assaf. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico-financeiro São Paulo: Atlas, 1993.
BRAGA, H. R. Demonstrações financeiras: estrutura, análise e interpretação. São Paulo, Atlas, 1990.
CAMPIGLIA, A. O. , CAMPIGLIA, O O controle da gestão: controladoria Financeira das empresas. São Paulo: Atlas, 1995.
NETO, Alexandre Assaf e SILVA, César Augusto Tibúrcio. Administração Do Capital de Giro. São Paulo: Atlas, 2ª
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Marcadores: Administração de caixa
A Análise Financeira e O Controle Gerencial:
Suportes primordiais para o sucesso das Empresas
Janaina Ferreira Marques de Melo
Nos dias atuais é de fundamental importância para a sobrevivência de qualquer entidade, o acompanhamento de suas tendências e do desempenho financeiro e de rentabilidade. Felizmente com o progresso da tecnologia e o surgimento da Globalização, a contabilidade evoluiu de tal modo, que tornou-se ferramenta importante para as empresas na tomada de decisão. A análise das demonstrações financeiras para toda a comunidade tornou-se essencial, pois é a partir dela que se pode verificar o sucesso dos negócios, suas deficiências e posteriormente uma solução viável. O analista tem o poder de interpretar as informações disponíveis, emitindo seu parecer para assim analisar com cautela as situações duvidosas, ocorridas pelo fato das informações não serem suficientemente claras, muito embora, deve-se salientar que a análise tem que ser entendida dentro de suas possibilidades e limitações, sendo assim complementada pela Controladoria que supre todas as suas deficiências. A associação da análise com o controle gerencial, transformaram-se em suportes primordiais indispensáveis, principalmente nas grandes empresas, que estão cercadas de riscos internos e externos. Competem aos empresários de estarem atentos a todas essas mudanças e os profissionais da contabilidade sempre estarem se atualizando , pois o mercado de trabalho e todas as suas necessidades estão cada vez mais exigentes.
INTRODUÇÃO
A maior preocupação das empresas, atualmente, é com relação ao seu equilíbrio financeiro e sua estabilidade no mercado. Com a oscilação da Economia, as pequenas, médias e grandes empresas, necessitam de um planejamento que interaja nas suas finanças e principalmente traga uma situação econômica - financeira aceitável, para assim poder competir com as concorrentes, principalmente as estrangeiras. A análise econômico-financeira sempre esteve ligada à necessidade de identificação da solidez e da performance das empresas, sendo assim de súbito interesse para os empresários, investidores, credores, concorrentes, Órgãos Governamentais, ou seja, a comunidade em geral. Devido às limitações da análise , houve a necessidade de aprimorar este conhecimento, para que assim supra todas as necessidades capazes de não só analisar dados, como também apontar soluções. O objetivo deste trabalho é mostrar a importância de duas ferramentas indispensáveis da contabilidade para o sucesso das empresas: o Controle Gerencial e a Análise das Demonstrações Financeiras, que não devem ser utilizadas separadamente, pois uma complementa a outra.
A FUNÇÃO E A ORIGEM DA ANÁLISE FINANCEIRA
Para se ter um grau de entendimento sobre a situação patrimonial, econômica e financeira de uma entidade, é essencial a compreensão da nomenclatura e estrutura das demonstrações contábeis e de índices financeiros, que são calculados a partir da comparação entre contas ou grupo de contas. Mas, para isso, deve-se observar, quando da elaboração das demonstrações financeiras, as normas contábeis e a complementação dos ordenamentos específicos sobre as denominações das contas e seus agrupamentos.
É por esta razão, que a análise econômico-financeira das empresas torna-se a razão mais freqüente para o desenvolvimento em caráter econômico - financeiro. Um banco, antes de efetuar um empréstimo ou um financiamento, precisará analisar a capacidade de pagamento do tomador de recursos. Outro exemplo, é o do investidor que pretende adquirir ações de determinada empresa. Ele necessitará, com certeza, de uma análise clara da situação econômico-financeira da empresa a ser investida, já que o objetivo do investidor é obter o melhor retorno sobre seu investimento. Cada empresa, internamente, através de seus relatórios, gerados em grande parte pela contabilidade, também precisa analisar seus próprios dados, para conhecer os resultados alcançados e verificar quais os pontos fracos e fortes, através do administrador financeiro, que deve analisar os dados da empresa, para, se necessário, reorientar as ações em termos operacionais e estratégicos.
De um modo geral, os exemplos dados sobre a importância da análise, resumem-se da seguinte forma: a principal preocupação de um credor, obviamente, será no sentido de receber o que emprestou, acrescido de juros e correção monetária. Já o investidor, é saber sobre seu retorno de seu investimento, mantendo certo grau de segurança.
Historicamente, a análise econômico-financeira sempre esteve ligada à necessidade de identificação da solidez e da performance das empresas. A partir do século XIX, nos Estados Unidos, foram surgindo modificações que levaram a distinguir as funções de proprietário e administrador da empresa, que contribuíram para um sistema de auto-avaliação da própria administração.
Esses fatos, de suma importância, deram origem à análise econômico-financeira nas empresas. Nesse mesmo período, banqueiros e credores também começaram a usar formas de avaliação baseadas nas Demonstrações Financeiras. Em 1890, nos Estados Unidos, era comum os bancos comerciais solicitarem Demonstrações Financeiras para avaliação de seus clientes, isto é, seus tomadores de recursos. Já no século XX, finalmente, começou a utilizar-se de índices financeiros, sendo o mais solicitado o Índice de Liquidez Corrente (Ativo Circulante dividido pelo Passivo Circulante), havendo um aumento bastante significativo na demanda por dados financeiros.
Devido a esse aumento de informações financeiras, a Análise das Demonstrações Financeiras desenvolveu-se rapidamente, criando padrões em tais índices. Esse estudo aumentou rapidamente, depois que houve as primeiras falências de grandes empresas, dentre as quais instituições financeiras, que necessitavam de um estudo mais abrangente sobre a tendência dos seus indicadores financeiros ao longo dos anos que antecederam às suas quebras.
Nos dias atuais, existem vários especialistas desenvolvendo novos estudos e pesquisas de insolvência, principalmente na classificação de risco de empresas.
REFLEXÕES SOBRE O PAPEL DO ANALISTA FINANCEIRO
De um modo geral, o analista é qualquer profissional que desenvolva a análise de uma empresa. Ele deverá selecionar os indicadores que o permita conhecer o desempenho da empresa no período analisado, em face de suas atividades operacionais, bem como identificar quais as grandes decisões de caráter estratégico, que afetam significativamente a estrutura de capitais de uma empresa. Com uma visão mais ampla, o analista tem que buscar referenciais que o facilitem comparar o desempenho de uma empresa com as outras que tenham atividades semelhantes.
Esses indicadores não são apenas o estudo de uma Análise Financeira. Na avaliação de tais indicadores, exige-se que se considerem inúmeros aspectos, sejam eles internos e externos, pois são a partir deles, que se chega à relação entre as atividades das empresas e os seus resultados. Por ser associada a um processo decisório e a saúde financeira de uma empresa (representada pela sua liquidez e rentabilidade), a análise deve interessar à sociedade em geral. Sejam eles dirigentes de empresa, acionistas, credores, concorrentes, Órgãos Governamentais ou a comunidade em geral.
Para os dirigentes de empresas, a análise suporta o planejamento e o controle gerencial. Os administradores desejam conhecer a posição patrimonial e identificar os fatores que afetam a sua evolução. O analista deve analisar os efeitos de decisões anteriores, confrontando os resultados reais com as metas fixadas, detectando os pontos fortes a serem explorados e os pontos fracos a serem corrigidos.
Como já foi citado anteriormente, os acionistas preocupam-se com o retorno do seu investimento, determinado pela valorização das ações nas bolsas e pelos dividendos periodicamente distribuídos. Decidem-se continuamente pela compra e venda de ações a partir de estudos preparados por analistas do mercado de capitais. Esses estudos associam a Análise das Demonstrações Financeiras à avaliação do comportamento das cotações.
De forma bastante abrangente, os credores preocupam-se com a capacidade de solvência da empresa. Por isso, o analista deve avaliar o risco suportado no horizonte de tempo em que ocorrerão os vencimentos das obrigações das empresas. Já os fornecedores preocupam-se com o sucesso de seus grandes clientes. Nesse caso, o analista deve fornecer subsídios para que os fornecedores de bens e serviços possam fazer uma programação da produção e vendas, além de ter uma implementação de seus próprios planos de expansão.
A análise é também de fundamental importância para a concorrência entre empresas. Através dela, as empresas poderão extrair valiosas conclusões através da comparação de diversos dados, tais como: volume de faturamento, giro dos estoques, retorno sobre o investimento total e sobre o capital próprio, novos investimentos em ativos fixos, grau de endividamento, liquidez, etc. Tudo isso permite identificar os pontos fortes e fracos dos concorrentes e as causas determinantes de seus sucessos e fracassos.
Para os Órgãos Governamentais, a análise facilita a fiscalização fazendária das empresas, como também o controle de preços e o julgamento das suas qualificações financeiras em concorrências públicas.
Genericamente, a comunidade onde uma empresa mantém suas dependências, preocupa-se com o sucesso dos seus negócios, uma vez que as empresas de determinada região determinam o crescimento do número de empregos diretos e indiretos, além de maior arrecadação de impostos e taxas, expansão de programas sociais custeados pela própria empresa, etc. Os bons resultados obtidos pela empresa geram progresso e melhor padrão de vida para todos.
Conforme verificamos ao longo do tempo, o mercado de trabalho do analista financeiro sofreu várias tendências quanto ao seu desenvolvimento. Eles desenvolveram vários níveis dentro da sua profissão como: Trainee, Júnior, Pleno, Sênior, Analista, Coordenador, Gerente de departamento de Análise, etc.
Em relação ao seu perfil, é necessário obter características pessoais e profissionais, para desenvolver sua profissão com sucesso. Dentre as pessoais destacam-se: a potencialidade adequada, a função, auto motivação, estabilidade emocional, empatia e diplomacia, habilidade de ouvir com atenção, dentre outras. Tratando-se de habilidades profissionais, as principais são: nível de escolaridade superior, conhecimentos na área de Economia, Contabilidade, Direito, Matemática Financeira, ótima capacidade de redigir e conhecimentos específicos dos negócios relacionados à área de atuação.
A responsabilidade profissional do Analista é de interpretar as informações disponíveis e emitir seu parecer, cabendo a ele analisar com cautela as situações duvidosas, ocorridas pelo fato das informações não serem suficientemente claras, procedendo assim, nesse caso, a uma reclassificação de contas dentro de forma conservadora.
Os Analistas devem estar atentos para a qualidade da documentação, tanto nas pequenas e médias, como também nas grandes empresas. Problemas de irregularidades são freqüentes, tais como: a falta de identificação da empresa nas demonstrações e da assinatura do contador e do responsável pela empresa, contas classificadas de forma incorreta, demonstrações financeiras incompletas e/ou excessivamente sintéticas ou sem as devidas apurações cabíveis (estoque, CMV ou CPV), falta do parecer de auditoria, da DOAR e notas explicativas (no caso das S.A´s); etc.
É preferível que não se faça uma análise, quando as Demonstrações Financeiras não são confiáveis. Dessa maneira, evitam-se tomadas de decisões sem o correto dimensionamento do risco da empresa.
O parecer é o produto final relativo ao processo da análise. Um bom analista, precisa ser possuidor de conhecimentos externos à sua área de atuação, além de que a leitura de seu parecer deve proporcionar ao leitor o conhecimento necessário sobre a empresa, sendo assim auto-explicativo. O analista precisa ter a capacidade de síntese, mas não deverá omitir informações importantes na elaboração de seu parecer, para que a sua análise torne-se uma forte ferramenta para a tomada de decisão.
OS TIPOS E CARACTERÍSTICAS DA ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
Como não existe nenhum padrão para a Análise das Demonstrações Financeiras, existem vários tipos de índices, que são utilizados de acordo com o Analista. No entanto, sinteticamente, pode-se afirmar que os tipos de análises dividem-se em:
• de Estrutura, Vertical ou de Composição;
• de Evolução, Horizontal ou de Crescimento;
• por Diferenças Absolutas,
• de Quociente ou Razão.
A Análise de Estrutura ou Vertical, tem o objetivo de medir percentualmente cada componente em relação ao todo do qual faz parte e fazer as comparações entre dois ou mais períodos, caso a empresa a ser analisada não esteja em seu primeiro ano de atividades. Já a Análise de Evolução ou Horizontal é de avaliar o aumento ou a diminuição dos valores que expressam os elementos patrimoniais ou do resultado, numa determinada série histórica de exercícios.
No caso da Análise por Diferenças Absolutas, é de avaliar qualitativa e quantitativamente os novos recursos injetados na empresa e a forma como esses recursos foram aplicados. Baseia-se na diferença entre os saldos no início e no fim do período, para determinar o fluxo de origens e aplicações de recursos.
A Análise por Quocientes é determinada em função da relação existente entre dois elementos, indicando quantas vezes um contém o outro ou a proporção de um em relação ao outro. Assim caracterizam-se os Índices de Liquidez, de Endividamento, de Rotação e de Rentabilidade.
Os Índices de Liquidez têm o objetivo de avaliar a capacidade financeira da empresa, para satisfazer compromissos de pagamentos com terceiros. É representado pelos Índices de Liquidez Absoluta, Liquidez Seca, Liquidez Corrente, Liquidez Geral e Solvência Geral.
Como o seu próprio nome diz, os Índices de Endividamento procuram avaliar o percentual de seu endividamento da empresa com terceiros, seja a curto ou a longo prazo. Pode-se até verificar, dependendo do caso e do grau de comprometimento, se a empresa está num processo de insolvência.
Em relação aos Índices de Rotação, pode-se afirmar que são esses os verificadores do giro (velocidade) dos valores aplicados. São representados pelos Índices de Rotação do Ativo, do Patrimônio Líquido, do Ativo Operacional e do Ativo Total Médio. Além dos já citados, existem o Prazo Médio de Renovação de Estoques, de Recebimento de Contas a Receber, de Pagamentos a Fornecedores e Imobilização do Capital Próprio.
A Rotação do Ativo mostra quantas vezes as vendas giraram em relação ao seu Ativo Total. Na Rotação do Patrimônio Líquido revela o que a empresa tem de recursos próprios, girando no Patrimônio Líquido. Já o de Rotação ou Giro do Ativo Operacional, revela a quantidade que as vendas promoveram em relação com o Ativo Operacional. O mesmo acontece no caso do Ativo Total Médio, pois também toma como base as vendas da empresa.
Para o Prazo Médio de Renovação de Estoques, verifica-se quantas vezes os estoques giraram durante período analisado. Isso também vale para o Recebimento de Contas a Receber e Pagamentos a Fornecedores. É importante analisar esses índices cuidadosamente, pois, a partir deles, pode-se saber se a empresa está precisando de recursos complementares em disponibilidades para pagar suas dívidas junto a seus fornecedores. Pois, isso ocorre quando o prazo médio de estoques somado ao de recebimento é superior ao prazo de pagamento concedido pelos fornecedores, ou seja, o seu ciclo financeiro é positivo. O ideal seria que esse ciclo fosse negativo, o que mostraria que a empresa estaria trabalhando com recursos de terceiros, sem haver necessidade de tomar dinheiro emprestado ou colocar dinheiro dos sócios para liquidar suas dívidas junto a seus fornecedores.
Na Imobilização do Capital Próprio teremos, percentualmente, onde o capital próprio foi investido mais intensamente, seja no Ativo Permanente ou em outro investimento.
Para os acionistas, os Índices de Rentabilidade e Lucratividade são os mais importantes. A partir deles tem-se uma avaliação do rendimento obtido pela empresa em determinado período. Os de Lucratividade, indicam ou representam a relação entre o rendimento obtido e o volume de venda (Lucratividade s/Vendas, Lucratividade Operacional, Lucratividade Bruta e Não Operacional).Já os de Rentabilidade, representam a relação entre os rendimentos e o capital investido na empresa (Rentabilidade do Capital Próprio, Rentabilidade do Ativo Total, Rentabilidade do Capital Realizado e do Investimento Total).
Além dos índices citados, também é importante, na constituição de uma análise, a Alavancagem Operacional e Financeira, pois representam de um modo geral, todas as afirmações com bases nos índices anteriores.
A Alavancagem Operacional representa o efeito desproporcional entre a força efetuada numa ponta (a do nível de atividade ou produção) e a força obtida ou resultante na outra (a do lucro). Quanto maior for a produção e quanto mais distante a empresa estiver de seu ponto de equilíbrio (quantidade mínima que a empresa deve produzir para que não tenha prejuízos), menor será o Grau de Alavancagem Operacional, pois a variação (acréscimo ou redução) no volume de produção provocará menor impacto no percentual de lucro.
Já a Alavancagem Financeira, representa a diferença entre a obtenção de recursos de terceiros a um determinado custo e aplicação desses recursos no ativo da empresa a uma determinada taxa; essa diferença (para mais ou para menos), provoca alteração na taxa de retorno sobre o patrimônio líquido.
Todos os índices citados não podem ser analisados isoladamente, mas em conjunto. A quantidade de índices a serem utilizados numa empresa deve ser medida com cautela. Uma grande quantidade pode chegar a confundir o Analista, principalmente se for um iniciante. Por outro lado, uma quantidade muito pequena de índices pode não ser suficiente para chegar-se a conclusões sobre a saúde financeira de uma empresa.
A quantidade e o tipo de índices a serem utilizados vai depender muito do objetivo da própria análise que se pretende desenvolver. O objetivo principal é subsidiar a tomada de decisão de crédito ou de investimento, entre outras.
A análise deve levar a uma classificação do risco da empresa (rating). A ponderação dos índices pode ser:
pela comparação dos índices da empresa com padrões de seu segmento, de sua região geográfica e de seu porte;
pelo uso de análise discriminante múltipla;
por meio da experiência do analista; ou
de recursos quantitativos.
Apesar da contribuição fornecida pelos índices financeiros, é importante destacar que normalmente referem-se ao passado, quando para o analista o mais importante seria saber o que está ocorrendo no presente e o que poderá ocorrer no futuro. Porém, isso não invalida a importância de tais índices, pois, mesmo tratando-se do passado, tem-se um instrumento para se saber como é que a empresa vinha caminhando ao longo dos últimos anos. Dessa forma, os Índices Financeiros sempre serão ferramentas que podem prestar grande auxílio aos analistas, credores e investidores, entre outros usuários.
ASPECTOS DA ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA E O PERIGO DE SUA MÁ ABORDAGEM
A empresa necessita estar atenta a todas as mudanças externas que possam vir a atingi-las. Para situar-se no mercado, é fundamental o acompanhamento de suas tendências e do desempenho financeiro e de rentabilidade da concorrência. A tomada de decisão deve ser claramente analisada, verificando se a posição alcançada é satisfatória ou se pretende alcançar um objetivo mais ambicioso.
Sem um padrão comparativo, de nada adiantará analisar os Demonstrativos Financeiros. Por exemplo, se um empresário é chamado para uma reunião e ao observar o relatório verifica determinado valor com relação ao retorno sobre investimento de sua empresa, que para ele neste caso, ou para qualquer outra pessoa,que não tem conhecimento técnico específico, é um número perdido no tempo e no espaço. É necessário que haja uma medida comparativa, para que se permita formular juízos do tipo melhor ou pior.
Para alcançar tal objetivo na Análise das Demonstrações Financeiras, é vital a utilização de padrões, que podem ser internos e externos. Quando se refere à própria empresa é interno, destacando-se os exercícios ou períodos passados e os orçamentos (quando se tem o hábito de elaborá-los), para assim obter uma referência para julgamento da rigidez financeira. É externo, quando se toma por comparação dados referentes a terceiros, que podem ser um competidor direto ou até a média global de todo o setor na qual a empresa opera como os benchmarks (Taxa de Mercado Setorial), encontrados em revistas especializadas.
Um outro fator importante dentro da análise, é a capacidade de pagamento de uma empresa, por meio dos Índices de Liquidez, que é considerada um dos itens mais importantes no processo de avaliação do desempenho da empresa, como também, a análise da relação do capital de terceiros sobre o capital próprio, por meio de endividamento e da análise do investimento.
Um aspecto que merece ser esclarecido, é que a análise tem função de apontar o porquê de determinada situação de rentabilidade e de liquidez de uma empresa e principalmente o que poderá acontecer se não forem realizadas (ou se o cenário econômico não mudar). É uma questão de demonstrar alguns fluxos projetados que só têm a beneficiar as empresas. Muitas vezes, a Análise das Demonstrações Financeiras serve mais para formular perguntas inteligentes para a investigação mais profunda, do que para fornecer respostas imediatas.
Além disso, no processo da análise, deve-se saber que os indicadores de liquidez e o seu aspecto restritivo como informação efetiva para a tomada de decisão, deve ser questionada cuidadosamente, pois somente reflete a condição de pagamento na data da elaboração do Balanço Patrimonial. Qualquer evento posterior no momento seguinte pode alterar completamente a condição de pagamento da empresa, invalidando até uma avaliação positiva feita anteriormente.
Um exemplo clássico do aspecto citado é o episódio da desvalorização cambial, ocorrido inicialmente no nosso país em janeiro de 1999. De um dia para o outro, os ativos e passivos realizáveis em moeda estrangeira tiveram um grande aumento decorrente da desvalorização da moeda brasileira, aumentando a expressão monetária em reais dos créditos e débitos vinculados a moedas estrangeiras.
Além da análise da capacidade de pagamento pelos índices de liquidez, é fundamental o monitoramento de sua rentabilidade. A possibilidade de a empresa sofrer problemas de liquidez está totalmente ligada à sua capacidade de geração de lucros. Obtendo a capacidade de gerar lucros e também de caixa, a empresa terá naturalmente a capacidade de solver seus compromissos, isto por que os ganhos serão maiores que os gastos.
Um último e polêmico aspecto a ser discutido é com relação a ética. Suponhamos que uma empresa, em grandes dificuldades financeiras, necessite de um financiamento e procure uma instituição financeira, que, por sua vez, pede as suas demonstrações financeiras. A empresa poderá pedir aos profissionais da contabilidade que confeccionem demonstrações financeiras não condizentes com a realidade da empresa, com o intuito exclusivo de conseguir os recursos junto à instituição financeira. O contador, que provavelmente é o analista interno da empresa, sabe a gravidade de tal decisão. O que fazer? Sabe-se bem, que além de ferir o Código de Ética Profissional, está preste a cometer um risco vital para a empresa. Obviamente, existe um outro profissional a serviço do banco, que analisará tais documentos e poderá detectar tal fraude.
Assim diz o Código de Ética Profissional do Contabilista:
“Artigo 3º - No desempenho de suas funções, é vedado ao contabilista:
(...)
XVII – Iludir ou tentar iludir a boa fé de cliente, empregador ou de terceiros, alterando ou deturpando o exato teor de documentos, bem como fornecendo falsas informações ou elaborando peças contábeis inidôneas. (...) ”.
Até que ponto se mantém uma postura ética? Segundo Enory Luiz Spinelli, “ter ética é essencial ao desenvolvimento profissional e uma organização contábil precisa promover a responsabilidade social e ética.”
É através do pensamento do “jeitinho” que surgem repercussões negativas da profissão contábil, pois quando o favorecido é o cliente, fica comodamente sigiloso, por outro lado, ao ver-se prejudicado, parte para a denúncia. A questão da ética precisa ser trabalhada de forma integrada, para romper resistências à credibilidade e à seriedade profissional.
ANÁLISE FINANCEIRA E CONTABILIDADE GERENCIAL:
DUAS FERRRAMENTAS QUE DEVEM SER UTILIZADAS INTEGRALMENTE
Nunca houve um caso conhecido em que um investimento tivesse sido realizado apenas baseado nos resultados das Análises Contábeis da empresa. Mas, também, não é conhecido nenhum caso de sucesso a longo prazo no investimento em ações, em que a análise dos relacionamentos contábeis não desempenhe algum papel, como infra-estrutura de uma análise fundamentalista.
Segundo Sérgio Iudicibus, a Análise de Balanço caracteriza-se como a “arte de saber extrair relações úteis, para o objetivo econômico que tivemos em mente dos relatórios tradicionais de suas extensões, se for o caso”. Deve-se ter a consciência de que a Análise das Demonstrações Financeiras é uma arte, que por sua vez não existe nenhum roteiro padronizado que leve sempre às mesmas conclusões, dentro das mesmas circunstâncias. Outro fator a ser lembrado, é que a Análise das Demonstrações Financeiras, pela sua natureza financeira, apresenta limitações, que deverão ser sempre lembradas.
É devido às suas limitações que não se pode separá-la da Contabilidade Gerencial, pois é através dela que se supre as demais necessidades. A Contabilidade Gerencial está voltada única e exclusivamente para a administração da empresa, procurando suprir informações que se “encaixem” no modelo decisório do administrador.
Esse modelo decisório leva em conta cursos de ações futuras, informes sobre situações passadas ou presentes. Somente serão insumos de valor para o modelo decisório à medida que o passado e o presente sejam estimadores válidos daquilo que poderá acontecer no futuro, em situações comparáveis já ocorridas.
A Análise Financeira e das demonstrações financeiras deve ser entendida dentro de suas possibilidades e limitações. Por um lado, aponta mais problemas do que soluções, por outro lado, convenientemente manuseada, pode transformar-se num poderoso “painel de controle” da administração. Levando-se em consideração apenas os valores de Balanços e Demonstrativos Financeiros, ainda tem uma limitação adicional, que é a não utilização de quantidades ou unidades físicas, juntamente com os valores.
Informações quantitativas em unidades físicas, freqüentemente são tão importantes quanto os valores, pois realçam em utilidade, quando relacionados uns com os outros. A análise quantitativa e qualitativa das fontes e usos de recursos pode fornecer muitas indicações úteis à administração para otimizar a estrutura de recursos e minimizar seus custos. Da mesma maneira, acontece com uma análise dos fluxos de caixa, porque auxilia a desvendar os períodos. Apesar de boa rentabilidade a empresa poderá precisar de financiamentos.
O quantitativo e demais fatores que não se obtêm na Análise das Demonstrações Financeiras são estudados e analisados claramente na Contabilidade Gerencial, que deverá ser feita pelo “Contador Gerencial”. Na prática, entretanto, não existe esse cargo. O contador gerencial poderá ser o controlador da empresa, que também é chamado de “Controller”.
Controladoria é o ramo da Contabilidade que está em grande abrangência nos dias atuais. Esse profissional engloba todas as funções acima citadas (Contador, Administrador Financeiro, Analista, Economista etc.). É a partir dele que, além da Análise Financeira, se estudarão outros procedimentos de caráter gerencial para um melhor desenvolvimento das empresas. Ele é capaz de estimar resultados, atribuir orçamentos, dentre outros. Vale salientar, que, devido a tanta abrangência, é praticamente impossível trabalhar sem uma equipe, na maior parte dos casos. Como, por exemplo, ele necessitará de informações do diretor comercial para estimar vendas e posteriormente lucros.
A Análise Financeira, a Contabilidade Gerencial, a Economia, as informações internas da empresa no seu âmbito comercial e financeiro, devem ser trabalhados continuamente. Assim como é vital as Demonstrações Contábeis para a constituição de uma análise, o Administrador necessita de um Analista para se obter um relatório mais dedutivo que um exemplar de balancete para a tomada de decisões. Um necessita do outro para atingir um objetivo em comum: a lucratividade.
AS VERDADEIRAS ATRIBUIÇÕES DE UM CONTADOR NO MUNDO GLOBALIZADO
Todo contabilista, seja ele um Técnico ou um Contador, deve desempenhar um papel além de suas funções técnicas, pois através dessa atribuição ele será responsável pelo progresso, respeito e sobrevivência da sua própria profissão, que é o papel da conscientização para com a sociedade em relação à importância do profissional contábil.
Infelizmente nos países pouco desenvolvidos, como o Brasil, a Contabilidade ainda não ocupou o papel merecido com relação à sua importância para a economia do País. A visão do empresário, de um modo geral, ainda não percebeu a verdadeira função da Contabilidade, que apesar de nos últimos anos essa conscientização ter prosperado intensamente, principalmente após o processo da Globalização, ainda existem pessoas com a visão de que a Contabilidade é uma informação apenas representativa do passado ou só de utilidade para as informações de tributos junto ao fisco.
Essa visão, nos dias de hoje, só traz prejuízo para as empresas e conseqüentemente à sociedade, além de desvalorizar a profissão contábil. As necessidades do mercado trazem benefícios para o esclarecimento da profissão, porém nem sempre indicam o caminho que leva à Contabilidade. Cabe aos profissionais mudar tal situação, utilizando a própria contabilidade como arma para vencer todos os obstáculos, deixando para traz toda a desinformação e sempre buscando as suas ramificações para tornar público a sua verdadeira função e importância.
Vimos anteriormente, o papel do Analista na sociedade. Sabemos que todo esse ramo, hoje bastante explorado, como também outros, partem exclusivamente da Contabilidade, apontando assim, mais uma vez, a sua importância.
Dentro de um setor de Contabilidade e Controle de grandes empresas, as tarefas devem ser estruturadas em etapas distintas: uma para o processo de conferência e classificação das contas, uma área exclusiva para escrituração e registros de lançamentos contábeis, outra para a revisão/conciliação de análise de contas e outra de apoio na área fiscal e tributária (participação nos processos licitatórios promovidos pela Entidade), analisando a documentação apresentada pelos participantes. Com esses procedimentos básicos a Contabilidade tornar-se-á mais ágil no processo de controlar as mutações ocorridas na evolução do patrimônio.
A Contabilidade deve deixar para traz o uso de processos rotineiros, passando a utilizar mais os recursos tecnológicos existentes, aprimorando o conhecimento científico e dominando sempre as explicações teóricas sobre a evolução patrimonial. A elaboração de relatórios e orçamentos também contribuem para a visualização e entendimento da Contabilidade, além de ser uma ferramenta importante para a tomada de decisão.
Um relatório gerencial permite demonstrar, de forma clara, ao empresário ou a outras pessoas interessadas, as informações contábeis medidas percentual ou quantitativamente. Nele podemos utilizar gráficos com explicações precisas, mas com uma linguagem menos técnica, para que o leitor, que nem sempre é uma pessoa com conhecimentos técnicos, consiga lê-lo e compreendê-lo.
O orçamento, que é um instrumento de grande importância gerencial, está ligado ao campo da controladoria. Para a sua elaboração são necessárias duas características: abrangência e boa qualidade, quando se diz respeito à informação.
Pela abrangência, verifica-se que o orçamento deve ser bem estruturado, seja numa atividade pública ou privada, utilizando tudo o que constitui uma unidade organizacional, que expressa seus programas de trabalho em termos financeiros. O reflexo de um bom controle orçamentário é uma boa administração, pois deste modo não permite que nenhum fato modificativo do resultado patrimonial escape desse controle.
Pela qualidade, sua principal característica é expressar números, objetivamente exprimindo dinheiro ou volume de serviços ou de bens a produzir. Pode-se considerar o orçamento como um método estatístico, que mediante a utilização das regras matemáticas, transforma-as em modelo econômico.
Em qualquer empresa é necessário que se mantenha um orçamento de despesas e receitas, que busquem uma relação entre gastos e ingressos de recursos de um período, para que se tenha um equilíbrio entre eles, evitando problemas futuros.
Resumidamente, o profissional contábil deve estar atento a todas as novas funções, que só fazem aprimorar a profissão. Um bom sistema de controle orçamentário, integrado ao sistema de contabilidade, pode contribuir para a sobrevivência da menor e mais simples organização, como também a evolução e o crescimento de uma grande organização, de um Estado ou até mesmo de uma Nação.
A contabilidade hoje é responsável pelo controle e coordenação das operações e avaliação da rentabilidade dos produtos fabricados e pelo caminho a ser trilhado. Assim diz Claudecy da Silva: “A Sociedade produz e o Contabilista conduz”.
CONCLUSÃO
O contador, que era visto meramente como um “guarda - livros”, tornou-se um agente indispensável nas empresas, fornecendo dados essenciais aos empresários para a tomada de decisão, por isso atualmente necessita sempre estar à frente das várias informações de diversificados setores, para assim ser capaz de transmitir a qualquer pessoa que as necessita. A análise financeira e o controle gerencial são atualmente essenciais para o desenvolvimento de qualquer azienda, devido as grandes mudanças e tendências que temos em nossa Economia, principalmente ligadas aos riscos internos e externos. A visão da sua real importância, vem sendo discutida e analisada em todo o mundo, graças ao avanço da tecnologia no processo da globalização, principalmente por revelar o verdadeiro retrato econômico-financeiro. Os empresários devem estar atentos a todas essas mudanças e os profissionais de contabilidade, devem estar sempre se atualizando, já que o mercado de trabalho e todas as suas necessidades, estão cada vez mais exigentes, beneficiando a todos. Cabe a todos nós divulgar e esclarecer para toda a sociedade a importância de se trabalhar em conjunto, respectivamente em sua área, não esquecendo de observar o que estar ao nosso redor e acima de tudo, valorizar o serviço do próximo, obtendo dessa forma o objetivo em comum: o sucesso e a prosperidade do país.
BIBLIOGRAFIA
KOLIVER, Olívio. “A Estrutura do Balanço Patrimonial e o Passivo a Descoberto”. In: Revista Brasileira de Contabilidade, nº 121, Janeiro/Fevereiro de 2000, pág. 30;
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Princípios Fundamentais de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade. Resolução CFC nº 803, Código de Ética do Profissional do Contabilista, Brasília 2000;
SILVA, José Pereira da. Análise Financeira das Empresas, 4ª Edição, Editora Atlas, São Paulo, 1999;
PADOVEZE, Clóvis Luís. “Análise do índice de liquidez sob o conceito de avaliação econômica da empresa”. In: : Revista Brasileira de Contabilidade, nº124,Julho/Agosto de 2000, págs. 42-53;
SPINELLI, Enory Luiz. “Estratégias na gestão de organizações contábeis”. In: Revista Brasileira de Contabilidade, nº125, Setembro/Outubro de 2000, págs. 37-45;
BRAGA, Roberto. Fundamentos e Técnicas de Administração Financeira, Editora Atlas, São Paulo, 1995;
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade Gerencial, Editora Atlas, 6ª Edição, São Paulo,1998;
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SILVA, Claudecy da. “A Relevância da Contabilidade e o Controle Orçamentário do ponto de vista empresarial”. In: Revista Brasileira de Contabilidade, nº 111, Maio/Junho de 1998, págs. 32-42;
SÁ, Antônio Lopes de. “O Check-up Financeiro da Empresa”. In: IOB – Temática Contábil e Balanços, Ano XXXV – 2ª semana de Março de 2001, nº10,
NEVES, Silvério das, VICECONTI, Paulo Eduardo V. Contabilidade Avançada, Editora Frase, 9ª Edição,2000.
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Peixe Fresco
Os japoneses sempre adoraram peixe fresco. Porém, as águas perto do Japão não produzem muitos peixes há décadas. Assim, para alimentar a sua população, os japoneses aumentaram o tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe do que nunca. Quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo levava para o peixe chegar. Se a viagem de volta levasse mais do que alguns dias, o peixe já não era mais fresco. E os japoneses não gostaram do gosto destes peixes.
Para resolver este problema, as empresas de pesca instalaram congeladores em seus barcos. Eles pescavam e congelavam os peixes em alto-mar. Os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem mais longe e ficassem em alto mar por muito mais tempo. Os japoneses conseguiram notar a diferença entre peixe fresco e peixe congelado e, é claro, eles não gostaram do peixe congelado.
Então, as empresas de pesca instalaram tanques de peixe nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar e enfiar esses peixes nos tanques, como "sardinhas". Depois de certo tempo, pela falta de espaço, eles paravam de se debater e não se moviam mais. Eles chegavam vivos, porém cansados e abatidos. Infelizmente, os japoneses ainda podiam notar a diferença do gosto. Por não se mexerem por dias, os peixes perdiam o gosto de frescor. Os consumidores japoneses preferiam o gosto de peixe fresco e não o gosto de peixe apático.
Como os japoneses resolveram este problema? Como eles conseguiram trazer ao Japão peixes com gosto de puro frescor? Se você estivesse dando consultoria para a empresa de pesca, o que você recomendaria?
Antes da resposta, leia o que vem abaixo:
Quando as pessoas atingem seus objetivos - tais como: quando encontram uma namorada maravilhosa, quando começam com sucesso numa empresa nova, quando pagam todas as suas dívidas, ou o que quer que seja, elas podem perder as suas paixões. Elas podem começar a pensar que não precisam mais trabalhar tanto, então, relaxam. Elas passam pelo mesmo problema dos ganhadores de loteria, que gastam todo seu dinheiro, o mesmo problema de herdeiros, que nunca crescem, e de donas-de-casa, entediadas, que ficam dependentes de remédios de tarja preta.
Para esses problemas, inclusive no caso dos peixes dos japoneses, a solução é bem simples:
L. Ron Hubbard observou, no começo dos anos 50: "O homem progride, estranhamente, somente perante a um ambiente desafiador". Quanto mais inteligente, persistente e competitivo você é, mais você gosta de um bom problema. Se seus desafios estão de um tamanho correto e você consegue, passo a passo, conquistar esses desafios, você fica muito feliz. Você pensa em seus desafios e se sente com mais energia. Você fica excitado e com vontade de tentar novas soluções. Você se diverte. Você fica vivo!
RESPOSTA:
Para conservar o gosto de peixe fresco, as empresas de pesca japonesas ainda colocam os peixes dentro de tanques, nos seus barcos. Mas, eles também adicionam um pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão come alguns peixes, mas a maioria dos peixes chega "muito vivo". E fresco no desembarque. Tudo porque os peixes são desafiados, lá nos tanques.
Portanto, como norma de vida, ao invés de evitar desafios, pule dentro deles. Massacre-os. Curta o jogo. Se seus desafios são muito grandes e numerosos, não desista, se reorganize! Busque mais determinação, mais conhecimento e mais ajuda. Se você alcançou seus objetivos, coloque objetivos maiores. Uma vez que suas necessidades pessoais ou familiares forem atingidas, vá ao encontro dos objetivos do seu grupo, da sociedade e, até mesmo, da humanidade. Crie seu sucesso pessoal e não se acomode nele. Você tem recursos, habilidades e destrezas para fazer a diferença. "Ponha um tubarão no seu tanque e veja quão longe você realmente pode chegar".
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Pequenas Coisas
(De Rubens Miola)
Um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada, resolveu procurar um hotel ou uma pousada para descansar. Em poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome: Hotel Venetia. Quando chegou à recepção, o hall do hotel estava iluminado com luz suave.
Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou amavelmente: "- Bem-vindo ao Venetia!". Três minutos após essa saudação, o hóspede já se encontrava confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os procedimentos: tudo muito rápido e prático.
No quarto, uma discreta opulência; uma cama, impecavelmente limpa, uma lareira, um fósforo apropriado em posição perfeitamente alinhada sobre a lareira, para ser riscado. Era demais! Aquele homem que queria um quarto apenas para passar a noite, começou a pensar que estava com sorte.
Mudou de roupa para o jantar (a moça da recepção fizera o pedido no momento do registro). A refeição foi tão deliciosa, como tudo o que tinha experimentado, naquele local, até então. Assinou a conta e retornou para o quarto. Fazia frio e ele estava ansioso pelo fogo da lareira.
Qual não foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a ele, pois havia um lindo fogo crepitante na lareira. A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e uma bala de menta sobre cada um. Que noite agradável aquela!
Na manhã seguinte, o hóspede acordou com um estranho borbulhar. Saiu da cama para investigar. Simplesmente uma cafeteira ligada por um timer automático, estava preparando o seu café e, junto um cartão que dizia: "Sua marca predileta de café. Bom apetite!" Era mesmo! Como eles podiam saber desse detalhe? De repente, lembrou-se: no jantar perguntaram qual a sua marca preferida de café.
Em seguida, ele ouve um leve toque na porta. Ao abrir, havia um jornal. "Mas, como pode?! É o meu jornal! Como eles adivinharam?" Mais uma vez, lembrou-se de quando se registrou: a recepcionista havia perguntado qual jornal ele preferia.
O cliente deixou o hotel encantando. Feliz pela sorte de ter ficado num lugar tão acolhedor. Mas, o que esse hotel fizera mesmo de especial?
Apenas ofereceram um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal.
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