terça-feira, janeiro 05, 2010

O poder da comunicação no mundo dos negócios
Danielle Macedo, Marina Dourado, Débora Vianello e Arielly Andrade*

Saber se comunicar é fundamental. Atualmente cada vez mais empresas estão exigindo de seus funcionários uma boa comunicação. Com isso, disponibilizam ajuda para os funcionários que têm dificuldade de falar em público, para que quando vieram a representá-las, saibam expor seus problemas de forma clara. Também porque dificilmente um funcionário será promovido se não souber comunicar-se adequadamente. Uma má comunicação pode acarretar em conseqüências negativas para a empresa, principalmente quando se trata da economia, já que é na hora da crise que um representante está mais exposto ao público. Uma informação mal dada para os próprios funcionários da empresa pode ser facilmente repassada para outros de forma distorcida, trazendo uma má reputação para a empresa.
Na hora de falarmos em público devemos ficar atentos para vários aspectos, como a maneira que nos vestimos, evitando roupas extravagantes ou decotadas, a postura na presença dos convidados e evitar ler suas possíveis anotações. No caso de uma apresentação em data show, não utilizar frases grandes nem letras pequenas, o ideal é fazê-la em tópicos, mostrando o tema principal e evitando a fuga ao foco. Muitas pessoas não levam em consideração uma informação dada por um representante que se porta mal, fala muito alto ou faz piadas em momentos inoportunos. Isso acontece com freqüência quando funcionários designados para essa função não se preparam adequadamente, cometendo gafes.
As empresas do século XXI buscam por profissionais versáteis e que não se prendam à rotina, esse é o diferencial que destaca certos funcionários, mesmo ele não se destacando em todas as áreas de sua empresa. Os resultados positivos dependem de uma boa apresentação e da imagem da empresa em questão. Como podemos passar boas oportunidades aos futuros parceiros de negócios, se a empresa não sabe como está sua produção e o que se pode expandir para novas parcerias? Então o resultado positivo depende da maneira que o representante se expõe e se relaciona com as pessoas. Isso muitas vezes só é alcançado com uma boa comunicação, em que as pessoas aparentemente têm mais confiança e segurança.

Alunas do terceiro período de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, campus Juiz de Fora - MG.

Subjetividade e Crise Financeira
A tão preocupante crise financeira que já levou até agora cerca de 20 instituições dos Estados Unidos ao fechamento de atividades (falência) de há muito permitiu previsão e esta foi realmente feita por especialistas.

Embora só neste período final de 2008 chegasse finalmente ao ápice um curso macabro que já não permitia ocultação, ainda parece presente uma dança de números segundo o noticiário internacional.

Não se percebe ainda medida objetiva que possa estancar a fonte dos males, pois, a preocupação atual está apenas em apagar o incêndio, sem pensar como se evitará com segurança que outro no futuro venha a ocorrer com o inflamável que permanece sob as cinzas.

Alguns Bancos estão transformando expressivas perdas em grandes lucros ao sabor de novas normas, segundo a imprensa tem noticiado.

A desordem financeira com reflexos daninhos na economia, entretanto, resulta de fatos que foram antecipadamente detectados e difundidos; o problema que atinge a muitas nações, a previsão de estagnação ou de baixo crescimento em 2009, resulta de fatos advertidos há mais de dez anos.

O jornal italiano "Corriere della Sera", há dias noticiou o "desastre" em relação ao seu País, o "Le Monde", face à situação na França, o Diário de Noticias, acerca da de Portugal (onde há dias se fechou um importante Banco o BNP), em suma em todas as partes as manchetes parecem padronizadas.

Nada, entretanto, que não tivesse sido absolutamente previsível por quem tem cultura, competência para analisar e sinceridade para advertir sobre o que sucederia.

Basta lembrar Lyotard, um dos mais representativos filósofos modernos franceses, que escreveu importante obra já em seus últimos anos de vida, em 1979 (em seu livro A Condição Pós-Moderna), vertida para o inglês e espanhol, apontando o que entendia como verdadeiro ponto débil da questão e a falsidade da informação.

Também, há cerca de cinco anos, ao ser admitido na Real Academia de Ciências Econômicas e Financeiras, da Espanha, o emérito catedrático de Economia Financeira e Contabilidade da Universidade de Barcelona, Dr. Didac Ramírez Sarrió, confirmou a tese de Lyotard (matéria que foi editada por aquela importante entidade de cultura que tenho a honra de pertencer).

Desde os fins da década de 70 vinham advertindo sobre todas as manobras empreendidas, Abrahan Briloff, da Universidade de New York e a "Comissão Parlamentar de Inquérito", cujo relatório em 1760 páginas foi publicado pela Imprensa Oficial do Senado dos Estados Unidos, liderada pelo senador Lee Metcalfe (Establishment Accounting).

Nada de surpresa, entretanto, para quem acompanha a questão com responsabilidade, ética e inteligência.

Inclusive quando se votou nos Estados Unidos uma lei especial para "conter o ensejo de fraude", a singelamente denominada SOX, por mim foi advertido em artigos que se estava a combater "efeitos" e não a verdadeira "causa" da questão.

Seguindo aos que de forma honesta enfocaram a matéria, o estudo de Sarrió também denunciou a fonte que Lyotard evidenciou, ou seja, o "culto ao subjetivismo" que anulou o "objetivismo", este que deve imperar nas ciências, especialmente nas humanas.

A falsa informação sobre a situação das empresas continuou a existir.

Tivesse havido "objetividade" em demonstrar a situação das empresas, em vez da "subjetividade" ensejada pelas ditas Normas de Contabilidade e não ocorreria o mascaramento derivado da aludida "engenharia financeira".

O abandono da ciência, a troca da realidade objetiva pela conveniência de grupos de especulação, resultou em um modelo que se sustentou a custa de inversão de muitos milhões de dólares para que tivesse aparência de qualidade; isso, na essência, o que fundamentalmente denunciou na Espanha Ramirez Sarrió (em trabalho editado sob o título "Sobre la crisis actual del conocimiento cientifico" - Barcelona 2002) apoiado nos estudos do eminente pensador moderno Lyotard; assim, também, alertaram nos Estados Unidos Briloff e Zeff, como advertiram em Portugal os eméritos professores Rogério Fernandes Ferreira, Domingos Cravo e Hernani Carqueja, eu e o ilustre mestre Koliver no Brasil em muitos artigos, há décadas.

Nossas advertências foram sufocadas por uma intensa e organizada estrutura interessada em defender o subjetivismo, mas, sem competência para evitar a crise que acaba de uma vez mais explodir (e que é mais uma em uma série de várias já sucedidas, mas, sem dúvida uma das maiores).

Não se pode culpar a Contabilidade por tudo isso e nem o fizemos, jamais; evidenciamos, sim, o que em nome dela, com ares de suposta superioridade e força de suporte de milhões de dólares, se apresentou sob o argumento de uma "convergência", estruturado em complexa entidade particular emissora de normas.

A CTOC, liderada por António Domingues Azevedo, instituição oficial dos contadores de Portugal, acusou de incompetente a entidade produtora das Normas, o IASB, pela adoção e imposição de bases subjetivas, realizando dessa forma advertência responsável e ética; no IX Congresso Internacional de Contabilidade do Mundo Latino, neste 2008, igualmente as advertências voltaram a ser feitas.

Tais previsões e avisos, na prática, entretanto, ainda não surtiram os efeitos necessários; o que estamos a observar como crise e que tem, além de outros motivos, raiz nas informações que ensejam a "subjetividade", continua abrindo portas às maquinações.

Antônio Lopes de SáCrise financeira e realidade contábil
A falta de cultura contábil provoca distorcidas visões sobre o que representam as informações veiculadas para efeito de apresentação de situações das empresas.

Pouco adianta lei e controle governamental exigirem "fidelidade" nos balanços se isso se estriba em conceitos vazios, se as Normas de Contabilidade se colocam acima de tudo.

De nada adiantam acordos e controles governamentais quando eles mesmos consagram o que é contra eles (é paradoxal legislar para impor o que não segue a lei, como vem ocorrendo).

A culpa da crise atual não se pode debitar apenas a debilidade dos gestores, nem de governos, como bem se infere do artigo "Mercados financeiros: os efeitos perversos da transparência", editado no Le Monde, da França, em 30 de setembro de 2008, de autoria do Diretor do Instituto de Gestão Empresarial de Lyon, Pierre-Yves (para referir-se apenas a um de muitos artigos que se têm editado mundo afora).

Todo um complexo cooperou para que o mundo viesse a pagar caro pela irresponsabilidade do processo, inequivocamente apoiado pela má qualidade das normas contábeis elaboradas para ensejarem a subjetividade nos balanços.

Culpa não é da Contabilidade, mas, sim, do que se apresenta como sendo genuinamente contábil dentro de um critério de inversão lógica.

O que hoje clama a Comunidade Européia, exigindo mudanças radicais, através das declarações das maiores autoridades públicas e de grandes intelectuais da Contabilidade, tem toda a razão de ser.

Quem tem cultura contábil de qualidade superior, quem tem experiência por longa prática profissional, quem acompanhou o curso normativo a partir da década de 60, reconhece sem dificuldade o que representa o amontoado de erros contidos no que se elaborou sob o rótulo de "Normas Contábeis".

A dita "Engenharia Financeira" contou inequivocamente com o apoio de uma "Contabilidade Criativa" como pejorativamente a denominou o Congresso dos Estados Unidos em relatório de comissão parlamentar de inquérito, denunciado há 30 anos passados.

A culpa deve-se a um conjunto de fatores e prova a falência do sistema norte americano no campo da Economia, Administração e Contabilidade.

Nunca adiantará apenas responsabilizar fraudadores se a porta da fraude continua aberta.

O que o dito COSO, a Lei Sarbane-Oxley criaram foi apenas o combate a um "efeito", sem erradicar a "causa" e que é exatamente a que enseja a "volatilidade" dos informes contábeis, ou seja, um deficiente sistema de Normas; as portas foram fechadas, mas, não se colocaram os trincos.

Muitos exemplos poderiam ser dados, mas, não são necessários muitos neurônios para saber que um arrendamento mercantil não é imobilizado, que valor de mercado é medida débil para espelhar a realidade objetiva das situações, que despesas não são perdas, que ativo não é recurso, que econômico não é contábil etc. etc.

Demonstrações contábeis quando se editam já não mais representam as realidades objetivas sendo, pois, falácia adotar-se medida dinâmica e aleatória (valor de mercado) para uma demonstração de estática (valor de Balanço).

O que a "Teoria do Valor" em Contabilidade consagra é o reconhecimento da relatividade do instrumento de mensuração, ou seja, a moeda, esta que também se sujeita a ser medida.

Isso requer "prudência" e para tanto se reconhece que não se deve tomar como parâmetro algo extremamente mutável.

Se as Normas estão indiferentes ao que a doutrina científica da Contabilidade enuncia e consagram e impõem as várias mazelas aqui referidas (que são apenas algumas), enquanto não forem fieis à ciência e se enquadrarem nas leis elas ensejarão as fraudes; as ditas Internacionais fixam, sim, ousadamente (basta ler as mesmas) que se as leis forem diferentes e os controles também, prevalecerão as Normas; isto está literalmente expresso.

Trata-se de um absolutismo que se coloca acima da realidade objetiva (que é da essência da doutrina cientifica) e da vontade dos povos (posto que a lei, por natureza, as representa).

Logo, o que está além de tudo não tem compromisso com coisa alguma; assim ditaram-se as IRFS que são bases das ditas Normas Internacionais de Contabilidade, elaboradas por um pequeno grupo de uma entidade particular, o IASB.

Tão primário é entender isso que só o ignorar a matéria, negligenciar na pesquisa do que está a ocorrer ou desejar iludir a opinião de terceiros pode contrariar o preceito lógico referido.

Antônio Lopes de Sá

Normas internacionais de contabilidade

Importância das normas ditas internacionais face ao mercado de trabalho em contabilidade
Em um universo de aproximadamente 6 milhões de empresas e instituições formalizadas existentes no Brasil, se considerados os cadastros divulgados pelo SERASA é possível inferir que mais de 80% das referidas é de pequena dimensão.

Quantas adotarão as Normas Internacionais de Contabilidade e para que?

A não ser a minoria registrada na CVM, deveras insignificante face ao universo do mercado de trabalho em Contabilidade, que empresas estariam obrigadas à submissão cultural que a Lei 11.638/07 determina?

Que vantagem traria à quase totalidade dos empreendimentos a adoção do procedimento normativo se este não segue totalmente à legislação, subverte conceitos e enseja a falsidade informativa?

Se essa maior parte significativa do mercado empreendedor não seguir as ditas normas quem fiscalizaria? Quem puniria?

Que lesão haveria aos empresários ou a terceiros a não adoção desse modelo informativo?

Tais perguntas são deveras significativas para que a quase totalidade dos profissionais do País minimize preocupações face à vasta propaganda que se está a fazer sobre os milagres da adoção do modelo dito internacional, este que não terá sentido prático de impacto sobre a realidade da vida da maioria dos empreendimentos.

A título de "modernidade"? Que modernidade é essa, todavia, se ela é exatamente a que se está a comprovar falha (nas crises sucessivas) e necessitada de mudanças segundo os pensadores mais credenciados de nosso século como Lyotard?

Não se justificará, também, priorizar no ensino uma questão que não tem relevância no mercado de trabalho do profissional nem é recomendável em perícias, análises financeiras, de custos e aplicações administrativas da quase totalidade das empresas; porque perverter conceitos que se formaram em bases científicas através de intelectualidades consagradas?

Em sã consciência ética um professor deve ensinar tendo por base a realidade objetiva e essa é a da ciência, inspirada na verdade.

Assim, por exemplo, instruir o aluno afirmando que um arrendamento mercantil é imobilizado, tal como preceituam as normas, é induzir ao erro, contrariando a verdade; é violentar a lógica apoiando-se em sofisma.

Induzir, através do ensino, ao "subjetivismo" face ao dito "valor justo" é mal formar a consciência do discente, é moldar mentes para a "volatilidade", esta contrária a sinceridade que deve ter o demonstrativo contábil, compromentendo as possibilidades de análises eficientes.

Em um mundo que reclama por mudanças de modelos, com a prevalência do empreendedorismo sobre a especulação, a metodologia de ensino deve adaptar-se a tal diretriz, pois, a do atual padrão evidenciou-se contra o democrático e o humano e redundou em séria crise.

Quer na prática, quer no ensino, portanto, tal como se encontram as Normas estas só interessarão a minoria que pretende prosseguir no ineficaz arquétipo que já se evidenciou fracassado, como assim têm acusado desde há muito inclusive vários intelectuais, estes amplamente referidos em artigos que se encontram em minha página http://www.lopesdesa.com.br e em muitas outras, assim como em revistas e jornais.

A mega importância que se deseja atribuir, sob pretextos que até agora não se justificaram como válidos, não tem sentido, a não ser para os que se privilegiam do evento e que igualmente pertencem à mesma minoria.

Desejar apresentar a matéria como se fosse uma "nova Contabilidade" é outra questão polêmica; basta uma simples pesquisa bibliográfica para constatar que se trata apenas de apresentar sob diferente embalagem o mesmo produto, porém, piorado.

Antônio Lopes de Sá

MENSURAÇÃO DOS ATIVOS

A característica fundamental do Ativo, segundo IUDICÍBUS, é sua capacidade de prestar serviços futuros à entidade que os têm, individual ou conjuntamente com outros ativos e fatores de produção, capazes de se transformar, direta ou indiretamente, em fluxos líquidos de entrada de caixa.
Assim, a mensuração do Ativo seria processada com base nos valores descontados das entradas líquidas de caixa futuras, mas que sofre restrições no seu uso, pela dificuldade de estabelecer uma taxa adequada de juros e uma estimativa da probabilidade de receber os valores previstos.
Atualmente, não é possível estabelecer uma única conceituação de valor para avaliação dos ativos, que tenha objetividade relevância, praticabilidade e poder preditivo.
O balanço se transformou numa etapa entre duas demonstrações de resultado e a avaliação do ativo em um processo de cálculo de quanto deve ser carregado para exercícios futuros, num enfoque receita-despesa.
Utiliza-se o procedimento de avaliação pelo custo ou mercado, o que for menor, que não é conceito de avaliação de entrada ou de saída, mas uma mistura dos dois conceitos. O termo mercado pode referir-se a um preço de saída ou um preço de entrada.
Uma das principais desvantagens da avaliação baseada no custo histórico é a de que o valor do ativo para a empresa pode variar com o passar do tempo; ao fim de longos períodos, pode não ter significado algum como medida da quantidade de recursos disponíveis à empresa, do valor de seus serviços futuros ou de seu preço corrente de mercado.
Por outro lado, os custos correntes de entrada representam o preço de troca que seria exigido hoje para obter o mesmo ativo ou um ativo equivalente, desde que exista um mercado no qual ativos semelhantes sejam comprados e vendidos, no qual um preço de troca poderá ser obtido e associado ao ativo possuído.
O custo corrente tem-se transformado em uma base mais importante de avaliação na Contabilidade, particularmente para a apresentação de informações a respeito do efeito da inflação sobre uma empresa
Ante o exposto, optaremos pelo uso do conceito de custo corrente ( de reposição ) para avaliação geral do ativo, por ser o mais completo, na maior parte das circunstâncias. As exceções seriam as seguintes:
• Contas a Receber - pelo valor presente líquido de realização;
• Itens monetários - valores monetários e assemelhados - pela sua natureza;
• Ativos diferidos - custo histórico corrigido
AVALIAÇÃO DE ATIVOS

Grupamentos de contas Avaliação pela Lei nº 6.404 Proposta

Disponibilidades Valor nominal das transações Valor nominal das transações

Investimentos Temporários Custo de aquisição ou Valor de Mercado, se este for menor Custos Correntes de Reposição, na data.

Contas a Receber Valor líquido de realização Valor presente líquido de realização, pela inexistência de mercado desses títulos.

Estoques Custo de aquisição ou produção, deduzido de provisão para ajustá-lo ao valor de mercado, quando este for inferior Custos correntes de reposição, na data.

Despesas Antecipadas Importâncias aplicadas menos as apropriações efetuadas Pela Lei nº 6.404.

Investimentos - método de custo Custo de aquisição, deduzido de provisão para perdas idem

Investimentos - método de equivalência patrimonial Resultados e quaisquer variações patrimoniais reconhecidos no momento de sua geração idem

Ativo Imobilizado Custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão Custos Correntes de reposição, na data.

Ativo diferido Valor do capital aplicado, deduzido do saldo das contas que registram a sua amortização Custo Histórico Corrigido, considerando-se a dificuldade de se obter os valores de reposição




Um dos ramos pouco valorizados no Brasil é a pesquisa. Com ela, o conhecimento pode ser mais bem lapidado, as idéias desenvolvidas, as teorias testadas na prática e, conseqüentemente, as inovações podem surgir.
Abaixo você terá acesso a diversos trabalhos apresentados em congressos e convenções nacionais e internacionais e artigos publicados em revistas especializadas.
"O Futuro pertence à aqueles que acreditam na beleza de seus sonhos."
Eleanor Roosevelt

ATIVO E PASSIVO AMBIENTAL

Werno Herckert
Contador
Cresce a nível mundial a preocupação com a riqueza das células sociais em relação ao meio ambiente natural. Tanto é que se criou a Contabilidade Ambiental algumas vezes chamada também Contabilidade dos Recursos ou Contabilidade Econômica e Ambiental Integrada. Isto graças ao apoio generoso da Fundação C. S. Mott, de Flint, Michigan, Estados Unidos.
FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E O MEIO AMBIENTE
No início do século Eugen Schmalenbach expoente da doutrina reditualista na Alemanha manifestou em sua teoria dinâmica da riqueza a preocupação com o social. Entendeu ele que a formação do rédito não depende só da azienda, mas da influência do ambiente externo onde a mesma está inserida.
Também Rudolf Dietrich aziendalista socialista da Alemanha defendeu que a azienda deveria estar a serviço da sociedade, produzindo, empregando e fortalecendo o Estado. Mas para que isto ocorresse dizia que a comunidade também deveria contribuir para com o fortalecimento da azienda.
E mais recente o Prof. Lopes de Sá em sua Teoria das Funções Sistemáticas abriu caminho para uma estrutura de doutrina competente volvida ao ambiental. Com a preocupação básica da eficácia do fenômeno patrimonial e a eficácia do fenômeno ambiental natural.
Ensina o Prof. Lopes de Sá: “Tal conciliação das duas eficácias, é uma nova ótica que a doutrina contábil não havia ainda considerado até há pouco tempo, mas, imprescindível para o desenvolvimento de uma Contabilidade aplicada ao Meio Ambiente”.
Toda célula social tem uma função social e tem obrigação de não poluir o ambiente natural onde ela está localizada (espacialidade). Poluindo está prejudicando a comunidade e a natureza.
O patrimônio da célula social influência e é influenciada pelo meio ambiente natural.
E sobre esta matéria escreve o Prof. Lopes de Sá: “Parece-me axiomático que: “O entorno ecológico transforma-se com o transformar da riqueza das células sociais e a riqueza das células sociais se transforma com o transformar do entorno ecológico”.
Ou seja, portanto: “há uma inequívoca interação transformadora entre o ambiente natural e o patrimônio das células sociais.
Ou ainda, que o patrimônio, quer o ambiente natural, sujeitam-se às leis supremas da transformação e as de um regime de “inteiração”.
Ainda ensina o Prof. Lopes de Sá: “O papel da empresa vai, cada vez mais, transcendendo limites meramente privados e só esse caminho, realmente, no próximo milênio, ensejará maior equilíbrio entre o capital e o humano coletivo.
Não se pode anular o empreendimento individual, nem tirar-lhe o objetivo do lucro, mas, é preciso que dele se exija o exercício de uma consciência volvida para o ambiente que permite, inclusive, a existência das atividades lucrativas.
A empresa deve contribuir, precisa investir em preservações ambientais, mas, também, necessário se faz que os Poderes Públicos incentivam e compreendam esta tendência.
Tudo deve convergir para o objetivo maior e que é o da sobrevivência da espécie humana sobre a terra”.
ORIGEM E APLICAÇÕES DE RECURSOS NO MEIO AMBIENTE
Segundo o Prof. Milton A Walter: “Os recursos financeiros necessários à atividade econômica das empresas são originadas de fontes internas e externas.
As fontes externas abrangem todas as obrigações assumidas pela empresa. Denomina-se Passivo Exigível.
As fontes internas correspondem ao capital acumulado dos proprietários da empresa. São conhecidos por Capital Próprio ou Patrimônio Líquido.
Os recursos procedentes de fontes internas e externas são aplicados em bens e direitos que compõem o Ativo”.
A empresa deve gerar recursos para investir na recuperação daquilo que ela utilizou da natureza.
Há empresas que poluem e destroem mais a natureza que outras.
A que mais polui deve pagar mais a que menos polui deve pagar menos. Isto é obvio.
Um fábrica de papel precisa de madeira. Esta deve aplicar recursos em reflorestamento.
Uma indústria de cimento deve ter recursos para investir em chaminés despoluentes.
Um posto de gasolina que faz lavagens de carros, troca de óleo, etc. deve construir açudes de decantação para evitar a poluição de derivados de petróleo nos riachos, rios, etc.
A empresa deve criar contas que geram recursos. Este recursos devem ser aplicados na recuperação da natureza.
Deve-se criar modelos eficazes de harmonia entre o patrimônio da empresa, o social e a natureza.
LUCRO E O MEIO AMBIENTE
Objetivo básico da empresa é a geração de lucro. Esta foi o pensamento de algumas escolas da contabilidade.
Na doutrina Reditualista Eugen Schmalembach deu prioridade ao rédito mais que ao patrimônio. Entendeu ele que o sucesso ou insucesso da empresa depende dos lucros que ela possa gerar ou não.
Afirmava ele que a conta Lucros e Perdas é que era excedais e que determinava o conteúdo do Balanço.
Fredrich Leitner pregava a maximinização do lucro como objeto de estudos.
Também defendia a compra ao mais baixo preço e a venda ao mais alto preço possível.
Zappa do azendalismo, também, atribuiu extrema importância ao rédito. Mas de uma forma peculiar.
“Admite que não só o capital é fonte de rédito: sobrepõe-se a ele a inteligência diretiva e o montante de forças, aptas a cumprirem o trabalho por meio do qual a autoridade eminente consegue a materialização dos fins que justificam a própria existência da azienda”. (Ver mais detalhes em História Geral e das Doutrinas da Contabilidade do Prof. Lopes de Sá)
Segundo o Prof. Lopes de Sá: “O rédito é um fenômeno que provém da ação humana, da natureza, do capital, pois muitos são os fatos endógenos e exógenos que influem sobre o capital é inequívoco, mas para o patrimonialismo ele é um fenômeno do capital”.
Ainda diz: “O fenômeno do rédito acontece quando o capital (aqui entendido como todo o patrimônio da empresa), volvido à obtenção da finalidade lucrativa, varia, por efeito de sua movimentação em decorrência da atividade desenvolvida para a utilização do mesmo”. (pg.205)
A empresa pode ter lucros e gerar desemprego, poluir o ambiente, etc.
Segundo o Prof. César Kroetz: “Podemos ter um balanço patrimonial que apresente elevados resultados, mas que comparado como o balanço social demonstre atitudes negativas por parte da empresa, as quais mascaram o lucro auferido, ou seja, pode uma industria ter lucro contábil, mas a forma de geração do resultado é altamente prejudicial ao meio ambiente”.
Outra pode ter prejuízo mas ter um excelente desempenho social com o pessoal investindo em qualidade de vida de seus funcionários, na capacitação funcional, na contribuição de instituições não lucrativas que beneficiam a comunidade, na preservação do meio ambiente natural.
É relevante a observação e analise destes fatos.
A partir daí questiona-se sobre a conceituação do lucro(resultado ou resultabilidade). Pois passa a ser relativo quando feito comparações com modelos de gestão.
O uso do capital não pode prejudicar a vida das pessoas, dos seres, da natureza enfim nem no presente nem no futuro.
E sobre isto ensina o Prof. Lopes de Sá: “Estamos diante de um processo de degradação dos níveis de vida naturais que podem, em breve tempo, inviabilizar a existência do homem sobre a terra, se prosseguirem as agressões ambientais”.
Ainda, segundo Leonardo Boff: “Cuidado todo especial merece nosso planeta Terra. Temos unicamente ele para viver e morar. É um sistema de sistemas e superorganismo de complexo equilíbrio, urdido ao logo de milhões e milhões de anos. Por causa do assalto predador do processo industrialista dos últimos séculos esse equilíbrio está prestes a romper-se em cadeia. Desde o começo da industrialização, no século XVIII, a população mundial cresceu 8 vezes, consumindo mais e mais recursos naturais; somente a produção, baseada na exploração da natureza, cresceu mais de cem vezes. O agravamento deste quadro com a mundialização do acelerado processo produtivo faz aumentar a ameaça e, conseqüentemente, a necessidade de um cuidado especial com o futuro da Terra”.
O uso inadequado dos recursos naturais vem prejudicando seriamente o equilíbrio da natureza.
Há uma séria ameaça de contaminação da água a nível mundial.
Há sérias ameaças de extinção de várias espécies de arvores, de animais, de peixes, de aves, inclusive do tubarão.
Cada empresa deve procurar modelos de eficácia na aplicação de seus recursos sem prejudicar o meio ambiente.
Urgente se faz em reverter este quadro de destruição pelo uso inadequado dos recursos naturais.
É importante a conscientização a nível mundial da necessidade urgente do cuidado ao planeta terra. É nossa casa. Esta precisa de uma reorganização.
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DO MEIO AMBIENTE NATURAL
Cresce a importância das auditorias nas grandes células sociais para avaliar os custos ambientais presentes e futuros.
Cresce a importância da Contabilidade Social e Ambiental.
Cresce os investimentos das células sociais na recuperação e preservação ambiental.
O Ativo e o passivo ambiental não pode ser mais ignorado.
Conforme a professora de economia da UFRJ, Dália Maimon: “O passivo ambiental é avaliado mediante auditoria especializada nas unidades produtivas da empresa, identificado as não conformidade com os requisitos legais e com sua política ambiental.
Em seguida, faz-se a avaliação da área contaminada para que finalmente as soluções sejam valorizadas monetariamente”.
Ainda segundo a professora referida: “As três principais categorias de custos que compõe o passivo ambiental são: (1) Multas, taxas e impostos a serem pagos face a inobservância de requisitos legais; (2) Custos de implantação de procedimentos e tecnologias que possibilitam o atendimento às não conformidades; (3) Dispêndios necessários à recuperação da área degradada e indenização à população afetada”.
Segundo o Eng. Agrônomo Pedro Pereira Guedes com mestrado em Agronegócios: “Este conjunto de mensurações torna complicada a avaliação da degradação ambiental face a dificuldade de estipular critérios objetivos de análise, como na determinação dos efeitos da poluição atmosférica e hídrica causada pela empresa.
Para contornar o problema, sugere, o Eng. Agrônomo a criação de indicadores regionais e setoriais de desempenho ambiental que auxiliam no cálculo do custo ambiental”.
É complexo a criação de critérios de avaliação da poluição ambiental. Mas necessário.
Cada município deve criar seus critérios de avaliação dos danos a natureza pela empresa.
Avaliar a poluição da atmosfera feita por uma empresa é difícil. Como avaliar esta poluição? Qual o critério a ser adotado. E na poluição hídrica? Na contaminação ambiental por vazamento de energia nuclear? Na contaminação dos rios por venenos aplicados na agricultura? Na contaminação da água potável? Na origem de doenças geradas por poluição ambiental?
EXAUSTÃO DE RECURSOS NATURAIS
Segundo Nelson Gouveia: “O método para calcular a exaustão de recursos minerais ou florestais é idêntica ao método de depreciação pela estimativa de produção. Consiste em obter o valor da exaustão por unidade, e multiplica-lo pela quantidade extraída em cada ano, até a exaustão total dos recursos. A vida útil, no caso de recursos minerais e florestais, é determinado pela estimativa de unidades de produção que serão extraídos dessa fontes.
Exemplificando, suponhamos uma jazida do minério Z adquirida por $ 100.000,00, sendo estimada sua capacidade em 800.000 toneladas (vida útil).
O valor de exaustão de cada tonelada será:

$ 100.000 = $ 0,125 por tonelada
800.000 t
Supondo que no primeiro ano sejam extraídas 200.000 toneladas de minério, o valor da exaustão desse ano seria de $ 25.000 (200.000 t x $ 0,125).
Sendo extraídas 120.000 toneladas no segundo ano, a exaustão será de $ 15.000. Quando a jazida estiver completamente esgotada, o valor da exaustão total corresponderá ao custo histórico da jazida”. (pg. 289 Contabilidade).
A exaustão dos recursos naturais vai prejudicar o meio ambiente como também a empresa que faz uso destes recursos como matéria prima.
Com a escassez de matéria prima utilizada pela empresa ela gerará ineficácia por não satisfazer suas necessidades e também como isto gerará ineficácia no meio ambiente por exaurir os recursos naturais.
Uma empresa de celulose que não gerar recursos para reflorestamento chegará um ponto que não haverá mais arvores para ser utilizada como matéria prima.
Uma fábrica de palitos que não repor as arvores cortadas terá sua produção seriamente afetada, gerando ineficácia patrimonial como também ineficácia ambiental.
A indústria do pescado deve fazer com que não haja desequilíbrio na reprodução dos peixes. Caso contrário terá ineficácia dos meios patrimoniais.
O progresso que todos desejam deve ser feito com uso racional do meio ambiente natural devolvendo ao mesmo aquilo que for tirado.
CONCLUSÃO
E a contabilidade segundo Henri Fayol: “O órgão de visão das empresas. Deve revelar, a qualquer momento, a posição e o rumo do negócio. Deve dar informações exatas, claras e precisas sobre a situação econômica da empresa”.
A contabilidade não pode ficar fechada a escrituração e mensurações quantitativas do patrimônio da empresa. Ela deve estar aberta a evolução tecnológica e as mudanças rápidas do mundo moderno. Estar presente na luta pela preservação ambiental natural. Criando modelos contábeis eficazes e orientado o empresário na aplicação destes modelos para satisfazer as necessidades da riqueza da empresa com eficácia e também satisfazer com eficácia as necessidades do meio ambiente natural.
Também, ensina Prof. Lopes de Sá: “Pouco adianta, para fins humanos, que estejamos a apenas demonstrar que se investiu tanto ou quanto na solução de problemas ecológicos ou em interesses sociais, se não conhecemos, pela reflexão, as bases lógicas de uma interação entre a célula e os seus entornos , entre a empresa e o meio em que vive., entre a instituição e a sociedade”.
Esta interação é uma preocupação do Neopatrimonialismo que tem uma visão holística e será a Contabilidade do 3o. milênio.
BIBLIOGRAFIA
BOFF, Leonardo. Saber cuidar: Ética do humano-compaixão pela terra. Vozes: Petrópolis-RJ, 1999
FAYOL, Henri. Administração Industrial e Geral. 8. ed., São Paulo: Atlas, 1970
FRANCO, Hilário. Estrutura, Análise e Interpretação de Balanços, l3. ed., Atlas: São Paulo, 1978
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HERCKERT, Werno. A contabilidade em face do futuro e o Neopatrimonialismo, outubro de 1999
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